PARA LER E RELER

sexta-feira, 8 de julho de 2011

EU, FOLHA-PLANTA!


A beleza da simplicidade! Tento treinar meu olhar para enxergar a força da simplicidade e a intensidade das pequenas coisas. Vez por outra me vejo atraído pela singularidade das pequenas expressões da vida e suas lições de vida. Tenho próximo de mim algumas plantinhas. Elas são frutos da criatividade da persistência da vida. A última é apenas uma folha com um broto. Encontrei-a largada, rasgada e deslocada de seu tronco e de sua planta. Na aridez e na carência ali estava ela. Apenas folha, apenas passado...
Abaixei-me para vê uma folha? Não. Abaixei-me para ver a beleza e o encanto da vida através da busca de uma folha em não querer apenas ser folha jogada rumo à morte, mas folha-planta rumo à vida. Para se ter a beleza da simplicidade é necessário se abaixar, deixar de lado a exaltação para brincar com a bolha de sabão que persiste em nos rodear.
A folha que me chamava a atenção não era apenas folha. Era folha-planta! Sozinha e largada à sorte, ela resistia ao reino da morte. Das plantas saem as folhas. Na luta contra a morte, das folhas saem plantas!
Uma folha, que quer ser planta para viver, revelava que a força da fragilidade é capaz de produzir vida e fazer gigantes dobrarem-se à sua beleza de querer viver.
Tomei-a e a fiz habitar num vaso. Vê-se agora que ela, como que sorrindo, abre-se apontando novas folhas. Ela não quer se folha-planta. Ela quer ser planta-folha. Não quer viver na anormalidade: largada, deslocada, jogada à morte e forçada a ser folha-planta (apenas uma busca para sair da morte para a vida).
A folha-planta representa estado de desesperado, a vida no aperto. A planta-folha representa a normalidade, a vida que flui naturalmente. A folha-planta representa mais. Ela mostra que apesar dos apertos e circunstâncias de morte, a vida chama-nos a lutar até a última seiva, até o último suspiro, até o último sonho...
Nem todas as plantas têm a capacidade de se tornarem folhas-plantas. É doloroso ser folha-planta. Mas doloroso é ser apenas folha seca jogada de um lado para o outro e sem a capacidade de resistir a morte produzindo vida.
Todas as pessoas têm a capacidade de serem folhas-plantas. Somos capazes de resistir a morte produzindo vida. Quando vejo uma pessoa jogada ao acaso da vida, fico imaginando se ela sabe de sua capacidade de se erguer e superar obstáculos.
Estou ansioso por ver como ficará minha folha-planta. Haverá o momento em que ela deixará de ser folha-planta para assumir sua verdadeira condição: ser uma planta com lindas folhas. Fico pensando que será mais um trabalho cuidar de mais uma planta na minha vida: um terapêutico trabalho!
As pessoas têm a capacidade de se erguerem. É preciso, contudo, que Deus se abaixe e as conduzam às águas tranquilas de esperança e paz. Deus possui um lindo jardim. Ele foi construído de folhas-plantas: pessoas encontradas a mercê das circunstâncias da vida. Ele as tomou e as plantou em seu jardim. Deus proporcionou as condições necessárias para que elas possam crescer: deu a água da vida (Jesus) e um vaso com os nutrientes necessários (a igreja).
No jardim de Deus têm muitas plantas belíssimas. Nele têm também aquelas que Deus espera vê-las crescer e desenvolver sua beleza. Todas, porém, foram encontradas jogadas à morte. Todas foram agarradas pelo seu imenso amor e adotadas para o seu jardim!
A todas as folhas-plantas é dito: “Não percam a esperança. O amor de Deus as encontrará a tempo de as fazerem belas plantas-folhas”. Resista a qualquer sugestão da morte e peça para Deus plantá-la no seu jardim. Não desista! Creia em Deus. Assim como existem jardins, existe também o começar de novo.
Ser nova planta depende de você ser achado por Deus. O melhor de tudo é que ele o encontrou. Apenas beba da pura água (Jesus) e viva o puro solo da graça e do amor de Deus. O sol vai brilhar, o dia vai nascer novamente. Deus nos ama!

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